12 fevereiro 2006

Editors - THE BACK ROOM

Editors-The Back Room

Kitchenware (2005)

1. Lights 2. Munich 3. Blood 4. Fall 5. All Sparks 6. Camera 7. Fingers In The Factories 8. Bullets 9. Someone Says 10. Open Your Arms 11. Distance Bonus CD (Limited Edition) 1. Let Your Good Heart Lead You Home 2. You Are Fading 3. Crawl Down The Wall 4. Colours 5. Release 6. Forest Fire

Numa altura em que há mais bandas novas do que modelos de telemóveis e a maior parte dos sons que vagueiam pelas ondas hertzianas se (con)fundem numa amálgama compacta e baça, as músicas que se destacam no meio do ruído tornam-se pedras preciosas que apetece, primeiro, guardar e só depois dividir pela maior quantidade de pessoas que for possível.
Assim me aconteceu a primeira vez que ouvi "Munich" na rádio (quem diz que em Portugal as rádios não passam boa música tem que actualizar as frequências...), o single que na altura brilhava com mais intensidade de entre as perólas de The Back Room, o primeiro longa-duração dos Editors. Mas quem gosta de jóias vai ficar deliciado com a variedade e quantidade encerrada naquele baú em forma de CD: há diamantes em "Lights", "Blood" e "Bullets", poderosas e de arestas bem definidas; esmeraldas de brilho vivo, denso e etéreo em "Fall", "Camera", "Open Your Arms" e "Distance"; e objectos de prata e ouro em "All Sparks", "Fingers in the Factories" e "Someone Says", que lançam no céu reflexos dourados e cinzentos.
Quem tiver sorte e procurar bem, ainda pode encontrar no fundo deste baú um alçapão que esconde mais seis pedras preciosas, dentro de um cd bónus que, apesar de ser mais pequeno que a arca maior, contém a jóia mais reluzente de todo o espólio, "Colours", embrulhada em suaves panos de seda, sonho e melancolia. "You are the colour, my dear", canta Tom Smith, enquanto embala nos braços a sua paixão. E eu só posso concordar.

18 maio 2005

Interpol - ANTICS

Interpol-Antics

Matador Records (2004)

1. Next Exit 2. Evil 3. Narc 4. Take You on a Cruise 5. Slow Hands 6. Not Even Jail 7. Public Pervert 8. C'mere 9. Length of Love 10. Time to Be So Small

"New York, New York", cantava Sinatra no final dos 70's em jeito de homenagem à grande metropole americana. Depois vieram os anos 80, carregados de deslumbramento e desilusão, romantismo e sofrimento, a busca pelo sentido da vida num mundo desolado e desolador onde a felicidade se escapa sistematicamente por entre os dedos. Assim são os Interpol: românticos, sonhadores, emotivos, apaixonados. Negros, mas ainda assim, luminosos. É verdade que já não estamos nos anos 80, mas isso pouco importa. Depois de Turn On The Bright Lights, os nova iorquinos partilham conosco mais uma mão-cheia de poemas em forma de canções, grandes canções que podiam ser Cure, Joy Division, Bauhaus ou Echo and the Bunnymen. Sinta-se a força arrebatadora de "Evil" e "Slow Hands", duas das melhores canções rock dos últimos anos que dão sentido á tecla repeat do leitor de cd's, o baixo pulsante e a guitarra urgente a empurrarem a voz de Paul Banks em direcção ao céu; o ritmo angular de "NARC" a marcar a cadência do coração numa noite sem fim; os jogos de luz e sombra em "Take You on a Cruise"; a procura desesperada de algo melhor, algo maior, a luz perdida em "Public Pervet" e "C'mere". Há quem os ache frios e cínicos, outros uma cópia de coisas melhores. A primeira vez que ouvi Antics na Fnac lembro-me de pensar isso mesmo: música fria e sem alma. Às vezes não reconhecemos as coisas boas mesmo quando batemos nelas. E a luz continua o seu caminho, à procura de quem se queira aquecer...

página oficial - http://www.interpolnyc.com/